Ato Ordinatório: o que é, quem pratica e efeitos no processo

No meio de um processo judicial existem vários tipos de decisões e movimentações. Algumas são feitas pelo juiz, outras pelas partes e há também aquelas praticadas diretamente pelo cartório. Entre essas movimentações está o ato ordinatório, um termo muito comum nos andamentos processuais, mas que ainda gera dúvida em muita gente.

Se você já consultou o andamento de um processo e se deparou com a expressão “ato ordinatório”, provavelmente ficou se perguntando: isso é decisão? Afeta o resultado? Preciso me preocupar?

Neste artigo completo você vai entender o que é ato ordinatório, quem pode praticá-lo, qual sua base legal e quais são os seus efeitos dentro do processo.

O que é ato ordinatório?

O ato ordinatório é uma movimentação administrativa realizada dentro do processo judicial, geralmente pelo servidor do cartório ou da secretaria, com o objetivo de dar andamento ao processo sem necessidade de decisão do juiz.

Ele não analisa o mérito da causa, não decide direitos e não altera o conteúdo da decisão judicial. Sua função é organizar e impulsionar o andamento processual.

Em termos simples, o ato ordinatório é um ato de rotina.

Base legal do ato ordinatório

O Código de Processo Civil prevê que determinados atos de mero expediente podem ser praticados independentemente de despacho do juiz.

Isso significa que, para evitar atrasos desnecessários, a lei permite que servidores realizem movimentações automáticas e padronizadas, desde que não envolvam conteúdo decisório.

O objetivo é tornar o processo mais ágil e eficiente.

Quem pratica o ato ordinatório?

Diferente de sentenças e decisões interlocutórias, o ato ordinatório não é praticado pelo juiz.

Normalmente ele é realizado por:

  • Escrivão
  • Chefe de secretaria
  • Servidor do cartório
  • Diretor de secretaria

Esses profissionais atuam dentro das atribuições administrativas do processo.

O juiz só intervém quando é necessário decidir algo que envolva análise jurídica.

Exemplos de ato ordinatório

Para ficar mais claro, veja algumas situações comuns em que ocorre um ato ordinatório:

  • Intimação da parte para se manifestar
  • Abertura de prazo para recurso
  • Juntada de documento aos autos
  • Certificação de decurso de prazo
  • Remessa do processo para outro setor

Perceba que todos esses atos são administrativos e não envolvem julgamento.

Ato ordinatório é decisão?

Não.

Esse é um ponto muito importante.

O ato ordinatório não é decisão judicial. Ele não resolve conflito, não concede direito, não extingue processo e não julga pedido.

Ele apenas organiza o procedimento.

Se houver qualquer conteúdo decisório, o ato deixa de ser ordinatório e passa a ser um despacho ou decisão.

Diferença entre ato ordinatório, despacho e decisão

Essa confusão é bastante comum.

Veja a diferença de forma simples:

Ato ordinatório
É administrativo e não envolve análise do juiz.

Despacho
É praticado pelo juiz, mas não decide o mérito. Apenas determina providências.

Decisão interlocutória
Resolve questão incidental dentro do processo.

Sentença
Julga o mérito ou encerra o processo.

Entender essa diferença ajuda muito na interpretação do andamento processual.

O ato ordinatório pode ser impugnado?

Em regra, não.

Como o ato ordinatório não possui conteúdo decisório, ele não costuma ser objeto de recurso.

No entanto, se houver irregularidade ou prejuízo às partes, é possível pedir a revisão ao juiz.

Isso ocorre principalmente quando:

  • Há erro na certificação
  • O prazo foi contado de forma incorreta
  • A intimação foi equivocada

Nesses casos, a parte pode peticionar apontando o problema.

Quais são os efeitos do ato ordinatório no processo?

O efeito principal do ato ordinatório no processo é dar andamento regular ao procedimento.

Ele pode:

  • Iniciar contagem de prazo
  • Formalizar intimação
  • Registrar movimentações
  • Encaminhar autos

Embora não seja decisão, ele pode gerar consequências práticas, como o início do prazo para manifestação.

Por isso é importante acompanhar o processo com atenção.

O ato ordinatório pode prejudicar a parte?

Diretamente, não. Indiretamente, sim.

Se a parte não observar que foi intimada por meio de um ato ordinatório, pode perder prazo. E a perda de prazo pode gerar consequências importantes.

Por isso, mesmo sendo ato administrativo, ele merece atenção.

A movimentação pode parecer simples, mas seus efeitos são reais.

Ato ordinatório no processo eletrônico

Nos processos eletrônicos o ato ordinatório é ainda mais comum.

Muitos tribunais utilizam sistemas automatizados que:

  • Geram intimações automaticamente
  • Certificam prazos
  • Movimentam autos de forma padronizada

Isso aumenta a velocidade do processo e reduz burocracia.

Mas também exige que advogados e partes acompanhem o sistema com frequência.

Existe ato ordinatório no processo penal?

Sim.

Embora seja mais comum a referência no processo civil, o processo penal também possui atos de mero expediente praticados por servidores.

A lógica é a mesma: movimentações administrativas que não envolvem julgamento.

Por que o legislador criou essa figura?

O objetivo foi dar eficiência ao Judiciário.

Se cada pequena movimentação dependesse de despacho do juiz, o processo ficaria muito mais lento.

Permitir que atos simples sejam praticados diretamente pela secretaria ajuda a:

  • Reduzir acúmulo de trabalho do juiz
  • Acelerar tramitação
  • Padronizar procedimentos
  • Garantir maior organização

É uma medida de gestão processual.

Como identificar um ato ordinatório no andamento do processo?

Normalmente ele aparece com expressões como:

  • Ato ordinatório praticado
  • Certidão de decurso de prazo
  • Intimação expedida
  • Juntada de documento

Quando não há assinatura do juiz nem conteúdo decisório, geralmente trata-se de ato ordinatório.

O ato ordinatório interfere no mérito da causa?

Não.

Ele não altera direitos das partes nem influencia diretamente o julgamento final.

Mas influencia o ritmo do processo.

Se o prazo começa a contar a partir de um ato ordinatório, isso impacta a estratégia das partes.

É possível o juiz revisar um ato ordinatório?

Sim.

Se houver erro ou questionamento, o juiz pode revisar o ato praticado pelo servidor.

Isso acontece quando:

  • Há equívoco evidente
  • A parte demonstra prejuízo
  • Existe necessidade de correção

O juiz tem poder de supervisão sobre os atos da secretaria.

O ato ordinatório é um ato administrativo praticado no processo judicial com a finalidade de organizar e impulsionar o andamento da ação. Ele não é decisão, não julga o mérito e normalmente é realizado por servidores do cartório ou secretaria.

Apesar de não ter conteúdo decisório, seus efeitos são importantes, principalmente porque podem iniciar prazos e formalizar intimações. Por isso, acompanhar o andamento do processo com atenção é fundamental.

Entender a diferença entre ato ordinatório, despacho e decisão ajuda a interpretar corretamente cada movimentação processual e evita confusões desnecessárias.

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